quinta-feira, 8 de abril de 2010

Circularidade do poder em Foucault.

Podemos começar a discorrer sobre suas principais idéias, e pra isso se precisa enumerar: Ele postulou sobre prisão, loucura, e poder. Sendo este ultimo o mais importante dentre os temas, ao menos para nós que estamos estudando o fenômeno jurídico, sendo essas sínteses teóricas as sementes de toda a visão, com a qual se encara o direito.

Poder, principio muitíssimo importante, tanto em ciência política, como em teoria do estado, ele é que vai definir as relações pré- estabelecidas, ou impostas por nossa própria interpretação do seu fenômeno na sociedade, como através dele e por ele acontecem os fatos a que chamamos de administração publica e/ou governo.

O poder, segundo Duguit, poder é a distinção entre governados e governantes, governantes como bem sabemos são a classe de pessoas que representam um povo, ou governam monarquicamente, ou impõem um ideal comunista absolutista, enfim, governante é aquele que define os rumos de um Estado. Essa definição de começo pode estar correta, mas a que ponto essa distinção entre governantes e governados pode suprir as necessidades de entendimento da administração publica, ou mesmo as diferentes escalonamentos do poder, torna-se falho ao perceber-se que o poder está tanto na ação social, a ação dos grupos, quanto na individual. O poder pode ser visto como a capacidade de conseguir resultados desejados, não importando por quais meios, e nisso Maquiavel foi um exemplo memorável, então, esse conceito chega mais próximo do de Foucault.

Foucault falou do poder não como uma capacidade individual ou coletiva de conseguir efeitos dentro da sociedade, para ele o poder existe por si só, ele não é possuído, e sim exercido, isso explica em parte a queda de governos, e de certa forma a institucionalização do poder, se o poder fosse algo como uma característica pessoal, o monarca absolutista não poderia ser substituído, hoje em dia não se obedece ao individuo que exerce função de poder, e sim à própria função, ou cargo. Não se deve “obediência” e respeito ao Luis Inácio da Silva, e sim à função que ele exerce que é a de presidente da republica, função essa amparada pela legitimação do governo e que tem restrições legais, e constitucionais sobre, por exemplo, a suspeita da idoneidade.

Todas as postulações feitas a partir daqui, são feitas pelo próprio Foucault ou nele baseadas.
O poder é o fato da ação sobre outra ação, daí, não apenas quem governa exerce poder, mas também quem é governado. “A resistência é um sinal da força”. Vale a pena ressaltar, força para Foucault não apenas de quem resiste a alguma ação, mas também para quem exerce tal ação que é repelida pela resistência. Não há poder, na coação física, se esta ação não trouxer outra ação, esta devendo ser a desejada. Os tipos de ação, ou seja, as formas de poder se manifestam tanto no âmbito macro-social, quando nas relações de amizade, ou quaisquer outras. Exemplo: Quando alguém pede a você alguma coisa, que você pode ou não, querer fazer. Ela esta agindo de maneira a conseguir o que deseja, conseguindo, ou não, há poder.

Então, entramos então na circularidade do poder, isto se torna lógico ao encarar pelo seguinte prisma: Se todos exercem poder, ele circula dentro dessas relações, a própria forma de governo repousa nessa troca, nessa confluência de ações. Desta forma ele circula, ele se modifica e transforma a realidade na qual age, esta é enfim a circularidade. Todos exercemos o poder, todos somos instrumentos de exercício do poder. Ele circula, os governos elevam-se e caem em função desta circularidade, as relações diárias estão cheias de poder, e ele circula entre nós. Isto resume logicamente a circularidade.

Há questões que se remetem a tal circularidade. Por exemplo, que mecanismos o estado, ou todos nós, usamos para que ele permaneça inerte?

Há instrumentos de manipulação de tal circularidade, tornando-a uma confluência direcionada?

Há muitas outras, mas espero que tenha conseguido o meu intento de elucidar mesmo que superficialmente o pensamento foucaultiano.

Manoel Felix Pessoa Neto

Um comentário:

  1. Muito bom o artigo, expressou de forma clara as principais acepções, o blog em si também é muito bom, continuem com a iniciativa.

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