terça-feira, 18 de maio de 2010

A contemporaneidade de Weber posta e mantida por seu respaldo histórico em contraponto a derrocada de algumas das considerações de Durkheim e Comte.

O legado deixado pelo ilustre pensador Max Weber pode ser considerado bastante atual e contemporâneo com a sociedade atual, bem como com os acontecimentos hodiernos porque diferentemente de Comte (que defendia o estabelecimento de certezas e verdades absolutas na análise das coisas e fatos) Weber deixa-nos bastante notório que diante da complexidade e da pluralidade dos fatores que levam os indivíduos a comportarem-se de uma forma e não de outra, é impossível chegar-se a uma verdade absoluta. Visto que não se trata de uma receita de bolo ou de uma máxima que residente no mero mundo das idéias, e isolado do mundo fático têm total aplicabilidade e êxito.
Conforme Weber, no estudo de um determinado fato ou comportamento, as conclusões são sempre parciais e subjetivas, tornando a validade das soluções encontradas para o caso concreto, sempre relativas e bastante particulares. Cabendo assim, novos estudos e interpretações para os fatos. Validando essa perspectiva, aproprio-me da consideração feita por um pensador antigo segundo o qual: “A idéia da existência e aceitação de certezas e verdades absolutas é um privilégio das mentes não-educadas dos fanáticos”.
Frontalmente opostas às idéias de Weber, existiram considerações de estudiosos como Durkheim e Comte que chegaram a postular que, haveria um dado momento histórico onde os homens seriam dotados de tamanho grau de consciência e reflexão, que sequer aceitariam a necessidade e existência de explicações dogmáticas e religiosas para seus questionamentos.
Ainda passeando entre as idéias de Durkheim e Comte, que defendiam a objetividade da análise e, por conseguinte das suas conclusões, consolidou-se o Positivismo que colocava a universalidade da análise como uma premissa a ser posta e defendida. Já Weber “deixa o leque aberto” chama atenção para uma análise, mais compromissada em compreender as razões dos comportamentos, fatos e condutas, do que em chegar a conclusões objetivas e absolutas acerca de determinado assunto, podendo assim incorrer no risco de fazer suas reflexões e proposições servirem como simplórias receitas-prontas.
Diante da prática e perspectivas do pensamento Weberiano repousam, até os dias atuais, muitas análises de comportamentos, condutas e práticas, onde munido de estudos mais isentos (dentro do possível) Weber pôde propor algumas considerações que encontram respaldo histórico e estão em voga ate os dias atuais. Muito do que esse valoroso pensador prospectou para as sociedades vindouras à sua, põe-se em prática hoje em dia no combate a comportamentos sociais, tidos como patológicos, comprovando em vários casos, que ele estava correto e mesmo em equilíbrio nas suas projeções e estudos.
Destarte, não-raro muitas das proposições de Durkheim e Comte que, apesar do protagonismo e pioneirismo, buscavam incansavelmente ser objetivos e taxativos em suas considerações, não encontrando amparo histórico e prático, não vindo a ser, portanto, postas em prática nem tendo a sua viabilidade comprovada com o passar do tempo.


Diego H. Alves Wanderley.:

Um comentário:

  1. Diego,

    Vejo que você tem muito talento para escrever. Fiquei impressionada com a complexidade do assunto e com a simplicidade que você conseguiu comentar. Espero passar por aqui mais vezes, e embora a área jurídica não seja meu rumo, é sempre bom estarmos por dentro de tudo, porque o que engrandece o homem é o conhecimento. Espero que o blog faça muito sucesso, espero ler muitas de suas escritas e de todos que compõem o mesmo.

    Um grande abraço.

    Priscilla Calaça

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