A base de toda discussão sobre modelos estruturais de cunho econômico está enraizada de forma precária na contraposição de comunismo e capitalismo. O primeiro, adotado por professores de história e idolatrado pelos menos precavidos às suas mazelas, prometia uma grandeza de igualdades de nível utópico, os seus reais modelos aplicados revelaram não só a deturpação das idéias ao se efetivar tais teorias, como a própria inexistência pratica e conceitual da sua mais alta bandeira, igualdade. Participam os cidadãos de um governo que coíbe a busca por uma melhora individual no padrão de vida, negando em casos mais extremados, ou mesmo controlando e coibindo que o povo adquira bens acima da média da população, no contraponto encontra-se uma corja que manipula os interesses e tais ideais, e o bloco governamental aproveita-se do poder a ele conferido em nome do bem comum, para conseguir regalias, aqueles mesmos que pregam a igualdade se diferenciam dos outros em função de seu cargo, dá-se também que nesses governos o índice de corrupção é, em geral, alto. Outras duvidas cabais podem ser suscitadas com relação a escolha do que será produzido, sendo o governo o detentor dos bens de produção, parece-nos que ele arbitra de modo aleatório muitas vezes, ou perverso em tantas outras, usa esta maquina para ajudar aqueles que apóiam o governo, e a economia flutua ao dissabor da beligerância contra as leis econômicas básicas, como a da oferta e demanda. E como já disse um ilustre pensador, “Não se socializa miséria.”
Por outro lado, o capitalismo açoita de maneira cruel as grandes massas, as camadas inferiores da sociedade são oprimidas por essa imensa maquina que visa em primeiro ângulo apenas o lucro. As criticas à desumanidade imposta pelos grandes ofertadores de bens e produtos, a automatização, outra medida focada na produção de riquezas, e um dos preferidos por aqueles que aderem ao outro sistema econômico: A concentração de riqueza na mão de poucos. O capitalismo, considerado por muitos a ultima evolução da economia, e entretanto previsto por alguns acerca de sua auto-implosão. Gera riquezas grandiosas e de mesmo tamanho, bolsões de desigualdade, gerações de pessoas que não tem uma predição mínima de possibilidades de crescimento pessoal e profissional, faltando-lhes mesmo a alimentação básica necessária à sua subsistência.
Senhores, consideremos que em ambos os lados há problemas que hão de ser superados com a idealização de outro sistema, ou admitir-se que o capitalismo tornou-se meio econômico dominante, e mudá-lo para que seja como nos o queremos, para que porte-se como o queremos, ou como o necessitamos, tais mudanças, vale salientar, se darão dentro do próprio sistema capitalista. Num mundo estigmatizador de regras e sistemas, há que se mudar a forma como se pensa a própria economia, ou as relações intersubjetivas. Tais mudanças se darão em torno da figura principal do poder institucionalizado, as lutas podem ser na rua, mas as reais garantias se dão no âmbito jurídico.
Mas cabe-se pensar que tais discussões não servem para decidir qual o melhor modelo, haveremos que fazer mudanças firmes e imediatas, usando o sistema vigente, no qual sua essência não se torna tão má e cruel, apenas utilizado de modo incorreto, pode-se expor tal modo de pensar como o problema de um instrumento de corte, utilizado de maneira incorreta, fará mal a outrem, mas se positividade na sua essência for utilizada de forma acertada, produzirá bens.
Uma critica comum ao pensamento marxista roga que ele reduz tudo ao fator econômico e luta de classes. Muitos outros pré âmbitos estão co-inseridos nesta faceta dos estudo gerais. Para o bem do povo, devemos todos convergir para o planejamento de ações para a quebra de realidades tão inumanas. As grandes massas, que representam de forma paradoxal as minorias em relação a poder político e econômico, não podem mais esperar, posto que nós, os que tivemos tais oportunidades de auto-conhecimento de nossa natureza humana, e dispomos de um poder de mudança maior e mais qualitativo, temos pairando sobre nossas consciências também os deveres morais de mudanças.
Defendo qualquer sistema econômico no qual as normas sejam aplicadas em função de um bem comum, normas estas que sejam heterônomas e coercitivas, visando assim sua eficácia, resumindo o pensamento, um sistema econômico que não perverta o Direito, um sistema no qual ele tenha sua plena aplicabilidade, não me agrada ilusões de sistemas ordenativos de primeiro mundo, mas sim normas que se concretizem, normas axiológicas fáticas.
Resumindo, sem nisso perder o leme da complexidade da questão, os passos iniciais serão dados em função do bem coletivo, através do estado, e este se rege e legitima pelo Direito, e este deve servir em ultima instância ao bem, Bem em toda sua abrangência, sob pena de perder suas características mais virtuosas.
Por tal motivo não defendo o capitalismo ou socialismo, e sim, pura e simplesmente a justiça em função do homem, para o homem.
Manoel Felix Pessoa Neto
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