Após a releitura de alguns materiais que produzi em parceria com o colega e amigo Manoel, encontrei o presente texto e acredito que ele desempenha de forma propedêutica a tarefa de trazer à luz uma necessária reflexão sobre Sistema econômico e social.
A simples caracterização de sistema econômico ou social, como sendo "uma estruturação das inter-relações das partes constituídas que devem ser consideradas, a isto denominando-se Sistema econômico ou social" é bastante técnica, e pouco analítica no que tange às características práticas do tema exposto, sistema econômico e/ou social.
No entanto, a consideração de que "um sistema econômico, visto como algo estático, assemelha-se com a percepção de que, o que predomina é a estrutura dos diversos vetores da economia" traz à luz para a observação de que tudo o que acontece no mundo, inclusive econômico, é fruto de interações com interesses prévios. Interesses estes que, em geral, não trazem no bojo de suas prioridades, preocupações com o que diz respeito às funções sociais desempenhadas por seus produtos, políticas e conceitos defendidos com tanta veemência.
Isto se evidencia quando no comentário do célebre professor Lajugie, diz-se: "todavia o que mais interliga o sistema econômico, com o aspecto ideológico é o Regime que rege o país (...) como é notório, qualquer disturbio na circulação dos diversos setores do sistema econômico, tende-se a concluir que a economia não vai se "dinamizar bem" e como resultado final, todo tipo de convulsão social aparece, sem contar com a inflação que atrapalha todo o processo de saída de uma crise."
O texto acima destacado, também serve para explicitar, com maestria, a forma como os aspectos econômicos bem como os seus interesses dominantes tomam proporção e influenciam a confecção e mesmo compreensão da sociedade, tal como a vemos.
Launder afirma que: "O capitalismo, no sentido clássico,é um sistema de propriedade privada dos bens de produção e consumo, liberdade de contrato e competição perfeita, com a intervenção governamental nos assuntos econômicos limitada essencialmente à proteção da propriedade, execução dos contratos e prevenção da fraude".
Esta visão não parece coadunar-se com a realidade fática, constatada historicamente. Uma vez que, em muitos casos a "competição perfeita" não é tão perfeita assim, haja vista a existência e predomínio de mazelas corrosivas como os monopólios, cartéis, oligopólios e trustes, que por sua vez acabam por atuar de forma negativa e mesmo nociva no mercado. Posto que, eliminam ou limitam a concorrência, esvaziam o número de alternativas ao consumo (pressupostos maiores e fundamentais de um sistema dito capitalista) e geram grande concentração de renda, o que dificulta o surgimento e sobrevivência de pequenos e médios empreendimentos. Por conseguinte, práticas dessa monta acabam por fabricar contrastes como a miséria, a prostituição, o agravamento da violência social e tantas outraz mazelas, frutos do caráter excludente sobre o qual reside o sistema capitalista.
Partindo da perspectiva de que não existindo a propriedade privada na forma como está posta, os subsídios à instalação de verdadeiras mega-estruturas como os monopólios, onde o controle de determinado mercado é ditado por apenas uma corporação, ou dos oligopólios em que esse controle é feito por um pequeno grupo de empresas ávidas por lucros, sem as necessárias preocupações sociais. Poderíamos pensar numa alternativa como por exemplo, o Socialismo que hoje figura como uma utopia.
Acerca do Socialismo há também que observar-se, conforme Launder que: "O tempo se encarregou de deturpar suas ideias, e o Socialismo prático de hoje, não reflete o pensamento de um Socialismo clássico e idealista" e por socialismo clássico tomemos por base as teses defendidas por pensadores como Robert Owen, Saint-Simon ou Charles Fourier, ou como se diria melhor, os partidários de um comunismo radical.
Há que se observar o conceito clássico de socialismo, por algumas de suas características básicas como: sistema de completa coletivização dos instrumentos de produção, ausência de lucros particulares e de propriedade privada, dentre outras particularidades.
Uma das teses que postula o porquê de o socialismo não ser plenamente adaptavel à realidade social de muitos países onde foi tentada a sua implementação, é a de que uma sociedade nestes moldes, nunca se alcançará por causa dos excessivos avanços tecnológicos em todos os setores econômicos, fazendo com que as ideias capitalistas avancem cada vez mais no imaginário popular e na consciência de um povo-sonhador que "Sobrevive" sem conseguir nada, mas, sonha com o "tudo" cujo modus vivendi capitalista "aparentemente" (atente-se ao caráter excludente preceituado de forma velada e as vezes escancarada) lhes oferece condições de concretizar o sonho americano de vida.
É imprescindível informar que o intento deste material não significa fazer uma crítica destrutiva ao sistema vigente muito menos de servir como apologia ao Socialismo/Comunismo, mas, de servir como material introdutório com o fito de instigar o debate acerca da utilidade e função dos sistemas econômicos e sociais, portanto não representando um ponto de vista hermético ou sectário.
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